G6

O Grupo do Seis é o comitê histórico da SiNUS 2017 e tem como temática o “Cuidado compartilhado em face à questão nuclear da Coreia do Norte”. Remonta-se ao ano de 2002, no qual a República Popular Democrática da Coreia – Coreia do Norte tornou público o fato de estar desenvolvendo um programa de enriquecimento de urânio. Descumprindo, pois, o tratado assinado, em 1994, com os Estados Unidos (FANG et al, 2011), assim como o Tratado de Não-Proliferação de armas nucleares (TNP) de 1970. No ano seguinte, a Coreia deixou de ser signatária do TNP, catalisando uma crise nuclear com os Estados Unidos (KWAK, 2006). Parte desta tensão se dá pela histórica relação de inimizade entre as Coreias, tornando o programa nuclear norte-coreano uma ameaça à estabilidade regional (KWAK, 2006).

Sabe-se que a Coréia do Norte possui armamentos nucleares cuja utilização, apesar de improvável (LIN, 2004), pode causar danos irreversíveis para a sociedade internacional. Uma série de violações aos acordos multilaterais, assim como às resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, foram feitas por meio de testes nucleares como o realizado em 2013 (BAJORIA; XU, 2013) sob comando do novo líder norte coreano Kim Jong-un. O programa nuclear norte coreano, sendo mal visto pelos membros da ONU, é, pois, uma questão de séria preocupação por parte da comunidade internacional (KWAK, 2006).

Visando à resolução de tal impasse foram  iniciadas, em agosto de 2003, rodadas de diálogos que se convencionaram chamar de Grupo dos Seis (Six-Party Talks), devido à presença da China, Rússia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão e dos Estados Unidos nas negociações (PAN, 2004). O Grupo, cujos objetivos basilares residem na garantia da segurança, assim como no uso pacífico de energia nuclear (em acordo com o TNP), enfrenta a rigidez dos posicionamentos dos Estados Unidos – na defesa da não-proliferação – e da Coreia do Norte – advogando pelo direito ao uso pacífico de energia nuclear- como principal barreira para uma potencial resolução do conflito (KWAK, 2006).

Por conseguinte, a SiNUS 2017 entende que é importante colocar esta questão como debate às secundaristas e rever este sistema realista de relações internacionais, no qual nota-se a predominância  do modelo bélico (HELD, 2005), e coloca em alerta a segurança de diversos países em detrimento do poderio nuclear de outros. Sendo de fundamental relevância analisar a temática sob a ótica da ética do cuidado, a partir da qual é possível buscar soluções de interesses mútuos e de bem comum para os países.